sexta-feira, 27 de abril de 2012

Existência

Não tenho certezas do que sinto, talvez a minha palavra preferia, perdida, seja a melhor para descrever como me sinto mas como já é algo tão normal, considero-a um estado de espirito. Talvez neste momento a palavra que soa melhor aos meus ouvidos seja incompleta.
Enquanto olho através da minha janela e olho o mundo; um pedaço de horizonte, o sol a espreitar pelo prédio e o vento a agitar as folhas das árvores, enfim para descrever o que vejo seriam necessárias milhares de palavras e uma mente incrivel para as organizar a todas, seria necessario uma imagem ou talvez mais que isso: uma visualização ao vivo.
Só de saber que tudo o que vejo é feito de energia e que esta nunca se perde, nunca se cria, apenas se transforma, dá-me arrepios. Esta conclusão faz-me pensar tanto que não consigo pensar mais. Fico bloqueada, incompleta. Se nem uma única particula desta energia se perde nem se cria então toda esta energia pertence a universo desde sempre, só para não irmos mais longe. Se pensarmos bem, se embatermos contra a parede que nos impede de acreditar em coisas á partida inacreditáveis, conseguimos concluir que, de alguma forma, algum pedaço desta energia que eu estou a ver através da janela, já foi outrora a energia que criou seres vivos, que possivelmente originou catástrofes. A energia que está agora na forma de vento já foi, possivelmente, outros tipos de energia, já gerou outros tipos de coisas.
Espantoso é que, estando eu aqui em pé a olhar para a janela vendo este mundo que nunca pára, nunca perde o tempo que tem, faz mil e uma coisas ao mesmo tempo, a planta que está do outro lado da janela ainda não parou se ser agitada pelo vento e, no entanto, eu já estou cansada, ao mexer-me com o desconforto estou a emitir energia que se está a dissipar e a transformar noutro tipo de energia, isto é algo que me reconforta imenso; para eu ficar a sentir-me bem basta saber que sou útil, que ao viver estou a usar energia, não a gasto mas também não a crio, apenas a utilizo, tal como ela me utiliza, tal como já utilizou outros milhões de coisas. A verdade é que aind não fiz uma pesquisa a fundo sobre isto mas, pelo que ouço dizer, pelo que vejo aqui mesmo á minha frente, parece-me total e completamente natural.
Confesso que não acredito em Deus mas ás vezes gostava mesmo de conseguir ter fé suficiente para acreditar num ser superior a nós, talvez de outra dimensão, que sabe tudo sobre o mundo onde nós, seres humanos, homo sapiens, vivemos. Se alguma vez eu encontrasse esse ser perguntar-lhe-ia como é que o universo funciona e, mais importante que tudo, porque é que é assim. Porém, admito que talvez querer saber tudo pode não ser assim tão bom, por vezes penso que é preferivel viver com medo do desconhecido, com a curiosidade e orgulho pela descoberta, com o entusiasmo de vir a poder descobrir tudo do que viver com a perfeita consciencia de tudo o que se passa á volta, com emoções insipidas, enfim, resumindo, aborrecimento total, pelo menos para mim, porque eu encaro-me como uma amante da ciência, da descoberta, da adrenalida. Na minha vida, todo o pedaço de enusiasmo é bem-vindo e acolhido como se não houvesse amanhã.
Para terminar esta minha enorme conversa comigo mesma penso que deveria pensar numa conclusão absolutamente fantástica, bem resumida mas, no meio de tantos pensamentos já nem sei porque comecei a escrever, talvez porque estava maravilhada com a visão á minha frente... Daqui a uns minutos o sol vai-se pôr e eu vou ficar a ver isso acontecer porque, para mim, obsevar a natureza é a melhor coisa no mundo e é por isso que segui ciências, desta forma posso não só observar a natureza todos os dias mas também trabalhar para a desvendar, mesmo que eu seja enfiada dentro de um laboratório saberei que estou a trabalhar para desvendar pequenos segredos do que mais amo neste mundo.

domingo, 15 de abril de 2012

Natureza



 
Se eu necessitasse de algo,
necessitaria de ti;
Se eu fugisse,
fugiria para ti,
contigo,
por ti;
Se eu não fosse eu,
seria tu
Se eu estou aqui,
é por ti;
E quando eu fugir,
será para te procurar,
por entre o vento
onde busco o teu alento.