Este fim de semana fui visitar a terra onde cresci durante toda a minha infância, a terra onde vive a maior parte da minha família e acontece que muita gente me perguntou o que eu queria ser, que curso queria tirar, que disciplinas me interessavam. A resposta que lhes dei foi sempre a mesma e, agora que me apercebo, eu parecia um disco riscado: sempre a repetir exactamente as mesmas palavras. E isto porque eu não queria prolongar muito a conversa, não queria acabar por dizer o que realmente quero, ou o que penso que realmente quero porque, no fundo, eu não sei se quero o que quero.
Se a minha vida não dependesse de outras pessoas e se outras pessoas não dependessem da minha vida eu escolheria não querer nada de especial; se eu conseguisse ser realmente egoísta eu escolheria publicar o meu livro de uma vez por todas, fazer a minha tatuagem, pegar no dinheiro que está guardado para a minha universidade e ir tirar um curso de biologia à Austrália logo a seguir a tirar um curso de inglês e, depois disso, logo se veria que emprego queria, logo decidiria se queria passar a minha vida como nómada, à base de bolsas de estudo, ou se queria arranjar um emprego estável no qual me sentisse minimamente bem. Claro que agora deveria explicar o que, para mim, significa viver ou sentir 'minimamente bem' mas essa conversa seria demasiado extensa para o pouco tempo que tenho no momento.
Mas, com o tempo, apercebi-me que já não me importo tanto com o facto de depender de outras pessoas. Quando era pequena não podia evitar ser dependente mas desejava ser adulta e independente... agora já não vejo qualquer distinção entre alguém com 16 e alguém com 18. Eu já não me vejo a mudar completamente no dia em que fizer 18. Aliás, gostava que o tempo abrandasse e me deixasse pensar no que quero, no que sonho, no que faço. No entanto, o tempo continua e continuará sempre com a mesma velocidade; infelizmente, ou felizmente, sou eu e outras pessoas que definimos a forma como o tempo passa. Sou eu que decido, consciente ou inconscientemente, se ignoro ou não ignoro o tempo.
Mari, como suas palavras explicam exatamente a forma como eu me sinto! Me identifiquei muito com seu blog, estou amando lê-lo!
ResponderEliminarObrigada Mia, agradeço muito o teu apoio :)
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